A Vara Criminal de Paço do Lumiar informou, no final da manhã desta segunda-feira (21) que, ao longo desta semana, serão colhidos os depoimentos das vítimas e testemunhas no processo que envolve David Gonçalves da Silva, acusado de crimes relacionados à Igreja Shekinah. A depender do andamento das audiências, também poderá ser realizado o interrogatório do réu.
Daniel Gonçalves foi preso em abril deste ano, durante a operação Falso Profeta. Ele é investigado por crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Segundo depoimentos das vítimas, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas. A investigação durou cerca de dois anos e começou após denúncias feitas por ex‑fiéis.
De acordo com a polícia, o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos.
Entre as vítimas estão pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que relatam ter procurado a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua.
As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos aplicados era chamado de “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. De acordo com uma das vítimas, os castigos eram aplicados sempre que alguém descumpria regras internas ou contrariava ordens do pastor.
